Problemas e soluções para três tambores – Solução 1

Acho que não existe um competidor ou um cavalo de tambor que não apresente algum tipo de problema ou algo que possa ser melhorado. A partir de hoje, durante os próximos dez dias, você encontrará aqui soluções para alguns dos problemas mais recorrentes. Pelo menos é o que mostram as mensagens que recebo!

 

Problemas e soluções para três tambores: “O competidor puxa a rédea de dentro e mesmo assim seu cavalo não gira fluido e rápido e ainda estufa na saída”.

 

O cenário:

O cavalo entra quente na pista, o cavaleiro mantem as rédeas bem curtas, larga ainda com muito contato na embocadura, pega mais firme na boca do cavalo antes do tambor e entra no giro tentando “fazer seu cavalo virar”.

O giro não é fluído e é lento. Pode ser que esse cavalo brigue no giro e saia aberto. De qualquer forma, esse é um giro que subirá a marca do seu cronômetro.

 

Por que não dá certo?

 

  1. Você não conseguirá arrastar e obrigar um cavalo de 500kg a girar com qualidade ao redor de um tambor. E movimentos forçados não tem a mesma qualidade.
  2. Também não ajudará a tê-lo sob controle com a pressão na embocadura, porque isso sempre fará com que ele fique mais nervoso.
  3. Quando você puxa a boca dele nas curvas, faz com que ele não consiga esticar o pescoço, adiantar a paleta de dentro e colocar a tração na garupa. Os músculos do engajamento estarão presos e com menos ação.
  4. Essa pressão excessiva na boca causa dor e incomodo, por isso seu cavalo “briga”. Brigar não é a palavra certa; ele apenas se defende da embocadura.
  5. Seu cavalo nunca será seguro e confiante para virar rápido e fluído enquanto entrar em pista já esperando pela pressão dolorida causada pela embocadura. Esse cavalo não chegará rápido ao tambor e não fará giros firmes e rápidos. Nem será emocionalmente equilibrado.
  6. Outro motivo que leva os cavalos a abrirem os giros é quando o cavaleiro não olha para o percurso e sim para o cavalo. Então, é como se a ação ficasse congelada desde a entrada do giro até quase 5m após a saída do tambor. Enquanto olha para o cavalo, mantem a mesma ação inicial.

 

Solução

 

  • Acostume-se a usar menos as rédeas dando a oportunidade de seu cavalo mostrar o que aprendeu. Se encontrar falhas, ensine o que falta.
  • Sente-se firma na sela, porque segurar as rédeas curtas demais é uma forma do cavaleiro usá-las para se apoiar.
  • Marque exatamente o ponto onde deve entrar no 1º tambor e largue olhando para esse local. Quando chegar lá, sente-se fundo e apenas indique o giro.
  • Não dobre o seu cavalo, nem puxe as rédeas impedindo-o de se esticar. Ao puxar e dobrar seu cavalo você o desestabiliza e atrapalha seu equilíbrio no giro. E ao impedi-lo de esticar o pescoço você o impede de efetuar giros mais rápidos e colocar mais força nos posteriores. Sem contar o incomodo que fará com que ele brigue e se atrapalhe na curva.
  • Faça isso em casa, treinando você e seu cavalo.
  • Se o seu cavalo parece quente demais no partidor e por isso você puxa demais a boca dele, saiba que está fazendo com que fique cada vez mais quente e nervoso.
  • Treine seus olhos o tempo todo para olhar adiante, para onde deve seguir, Quando olha rápido, age rápido e seu cavalo segue você.

 

Arrisque-se a confiar mais

 

  • Arrisque-se. Entre na pista já sabendo de onde irá largar, vá direto para esse ponto e largue olhando para a entrada do tambor. Sem demora, sem irritar seu cavalo, sem esporadas ou excesso de pressão na boca dele. Olhe para onde precisa ir e ele seguirá seus olhos. Não tenha medo de errar. Se algo não der certo é porque você precisa melhorar a sua ação e melhorar o treinamento dele. Chegar em casa e massacrar seu cavalo, fazendo-o dar dezenas de voltas no 1o. tambor, não trará nenhum benefício. Ao contrário; você estará ensinando a ele como o tambor é algo ruim e penoso, algo que ele deve evitar.
  • Ao invés disso, trabalhe seu cavalo a trote e meio galope. Treine largando a trote, peça galope, sente fundo na sela e ‘wow’ para reduzir, sem puxões, e faça um círculo bem perfeito ao redor do tambor. Mostre tranquilidade e segurança a ele, porque excesso de nervosismo não é adrenalina e sim insegurança.
  • Trabalhe a base usando contato bem sútil nas rédeas para ter um cavalo mais independente e confiante. Trabalhe o percurso sem velocidade, apenas ensinando seus pontos (redução, giro, saídas alinhadas).

 

Desde que iniciei o Três Giros, ressalto a importância de compreender a natureza dos cavalos (comportamento, movimentação e relação com os humanos) e o poder que nossa mente exerce sobre a nossa performance.

A qualidade dos movimentos, foco nas ações, conexão para os ensinamentos e o controle sobre a nossa mente formam o conjunto necessário para que um competidor seja capaz de usar todo o seu potencial e o do seu cavalo.

 

Um treinador americano, você deve conhecer, Talmadge Green, costuma dizer (e concordo plenamente!):

“Treino a trote para uma vitória a galope!”

 

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