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Três tambores – competidores nervosos

Largou e deu um branco?

A prova de três tambores e o nervosismo. Por que isso sempre acontece?

 

Eu estava organizando meus vídeos e encontrei uma filmagem antiga de uma prova em Bauru (antiga mesmo, porque está em vídeo cassete).  Da época em que o Congresso era realizado lá.

E me lembrei  nitidamente de tudo o que se passou. No momento em que terminei a passada e me dirigia para a área do juiz, olhei para a pista e pensei  “O que aconteceu lá dentro? Não fiz nada daquilo que pensei em fazer…”

E isso aconteceu em outras provas depois desse dia. Eu entrava na pista, sabia que tinha um bom cavalo, olhava para onde eu tinha que ir, largava e… branco novamente! Depois de largar não focava em mais nada, os tambores chegavam até mim tão rápido, parecia que tudo estava super rápido, mas o cronômetro marcava 18,4…

Eu pensava “Caramba como pode? Por que motivo não consigo pensar enquanto corro?”

Alguns meses se passaram, a história se repetia até que resolvi levar meus cavalos para um amigo e treinador de São Pedro. Ele e a esposa dele, amigos queridos até hoje, se empenhavam em deixar os cavalos tinindo. Mas o grande lance, que percebi tempos depois, foi o trabalho mental que ele fez comigo. Sim, treinar os cavalos era parte do jogo, mas havia um plus que vinha no pacote e que era relevante demais: treinar o corpo e a mente de quem compete. A palavra certa na hora certa, o puxão de orelha que faltava, o incentivo, a segurança e a melhora na equitação. Ele era um coach e não sabia! E ganhei muitas provas, cada vez mais abusada na minha forma de largar. Passei a amar as largadas.

 

A grande descoberta

Um tempo depois, aposentei precocemente esse cavalo e comecei a correr em outro. Era um cavalo mais difícil e dependia mais dos meus acertos. Nesse tempo eu já estava em outro lugar e percebi que o nervosismo queria se sobrepor novamente. Cheguei à conclusão de que precisava encontrar o motivo e resolver de vez essa questão.

Pesquisei na internet e encontrei algumas competidoras americanas que auxiliavam outras competidoras. Lá é muito comum que as meninas treinem seus próprios cavalos, mas existe um aparato de profissionais que podem auxiliar e até planejar a carreira delas. Inclusive de forma online. Pois é, quando vi que poderia ser online fui atrás de resolver o meu caso. Coaching online, achei demais! Quase 8mil quilômetros de distância não impediam o aprendizado! E a descoberta que fiz abriu um horizonte enorme diante de mim. “É isso!!”

Aprendi que nem sempre o que parece ser um problema é de fato o problema. Descobri com a Heather que o nervosismo é absolutamente normal e que o tal ‘branco’ na prova e a falta de ação no percurso são sintomas, porque o problema é outro.

Na verdade eram dois problemas – não estar totalmente firme na sela e não saber exatamente para onde olhar.

 

E por quê?

Quando a gente larga e parece que o cavalo sai antes da gente, opa! Já é um sinal de que não estamos junto dele de verdade.

Quando chega na entrada do tambor e temos o reflexo de puxar a rédea é porque nosso cérebro registra “Ops, você está rápido demais, cuidado para não cair.” Então, tudo o que esse cérebro não faz é acionar o seu corpo para fazer tudo rápido. Você fica para trás. Tudo porque o nosso cérebro sabe que não estamos seguros, que estamos preocupados em conseguir ficar em cima do cavalo durante os giros. Então, essa insegurança (parente do medo) se torna o foco principal da nossa prova: “Preciso ficar firme em cima da sela, não posso me desequilibrar”.

E nas saídas dos tambores, por mais que a gente queira baixar a mão, saímos com as mãos altas. Sabe por quê? Falta de firmeza, a gente se apoia nas rédeas, se segura nelas.

 

Como não dar um branco???

Se a gente já larga tomado pelo nervosismo (e tem a adrenalina sendo liberada  na gente e no cavalo)e preocupados em ficar em cima do cavalo, como é que podemos ter foco nas entradas dos giros, posicionar as mãos corretamente, não sentar antes nem depois da hora, empurrar o cavalo, fazer tudo com foco? Impossível.

Entendi que para controlar o nervosismo precisamos estar seguros. Sim, controlar, porque tentar evitar é uma guerra perdida. O nervosismo sempre aparece e sempre aparecerá quando estivermos diante de qualquer situação desafiadora. Ele aparece até mesmo quando vamos para aquele primeiro encontro, não é? O que podemos fazer é controlar esse nervosismo eliminado o máximo de fatores possíveis,  que possam contribuir para o aumento dele.

 

E os mais importantes são:

1 – ter firmeza suficiente para não ter o menor receio de virar os tambores a mil por hora

2 – saber exatamente para onde devemos levar nossos cavalos e de que forma

3 – as crenças limitantes (crenças limitantes? Calma que eu já vou explicar mais adiante…)

 

E por que isso funciona?

 

Porque para controlar o nervosismo precisamos estar seguros. Seguros mesmo, fisicamente seguros. O nosso instinto de preservação nunca nos falha.

Quando você está dirigindo em uma estrada cheia de curvas fechadas e não tem prática para fazer essas curvas com velocidade, qual a sua reação diante disso? Pisar no freio antes e entrar mais devagar. Mas se você fosse um piloto de corridas com certeza aproveitaria para brincar um pouco e faria essa curva acelerando.

Pois é, somos programados para estar sempre seguros, fora de perigo. Se pudéssemos virar os tambores com velocidade e SEM estribos, certamente seríamos bem mais seguros nas provas.

E como ficar assim tão firme na sela?

 

Treinando! É isso mesmo, precisamos treinar para ficar firmes, equilibrados e bem posicionados em cima dos cavalos. Para alguns talvez pareça uma bobagem, já ouvi pessoas dizendo que é só montar e se acostumar em cima da sela. No entanto muitas dessas pessoas saem dos tambores com as mãos lá no alto, se firmando nas rédeas, um grande sinal de falta de equilíbrio.

Faça um teste; coloque uma rédea longa na sua cabeçada,  toque pra valer o seu cavalo e quando chegar na entrada do tambor baixe a mão encostando ela no pescoço do seu cavalo e faça o giro assim. Nem se preocupe se ele irá virar aberto ou fechado. Pode até ser que nem vire. Mas tudo bem, porque se  você estiver bem firme ele poderá ir para qualquer lugar, de repente, sem que você perca o equilíbrio.

Treine sentar em 100% do tempo em que estiver montado. Transfira o seu peso para a parte de trás do seu assento, pressionando o ossinho do final da sua coluna contra a sela.

Você está sentado agora? Então tente aproximar o seu umbigo da sua coluna. Contraia a parte baixa do abdômen em direção à coluna. Conseguiu? Pronto, seu apoio está no lugar certo.

Agora a segunda parte: coloque seus calcanhares para baixo mantendo os estribos para frente e use a força dos músculos internos das coxas para se fixar à sela.

Mas não adianta fazer só na hora de correr. Se não treinar para criar memória muscular, não fará no automático em uma situação de pressão.

Ok, ficou firme na sela, agora seu cérebro vai começar a relaxar, começar a encorajar você a ir adiante. Você se sentirá mais seguro, mais capaz, mais determinado.

 

Pronto para o segundo passo?

Então, saiba exatamente quais são os pontos do percurso em que precisa levar seu cavalo.

Primeiro você precisa conseguir visualizar os seus pontos. De forma tão clara que você quase seja capaz de enxergar cada ação no seu lugar de execução.

 

As entradas dos tambores:

 

O primeiro tambor é o que causa mais dúvidas com relação à entrada do giro. Por quê? Porque você chega pela lateral e não de frente para a entrada. Então, ela possui dois pontos que formam a entrada:

1 – após largar, o focinho do seu cavalo deve chegar ao do tambor, a cerca de 3m de distância. Esse é o ponto de redução, onde precisa reunir para iniciar a curva.

2 – após o primeiro ponto, o giro se inicia e você precisa manter uma distância de 1,5m com relação ao tambor para que possa dar espaço e sair alinhado para a entrada do segundo tambor.

 

As entradas do . e 3º. Tambores são iguais: leve seu cavalo até que o seu corpo chegue ao lado do tambor a cerca de 2m dele.

 

O último passo

 

Alguém aí já fez karatê?

 

Tá, mas o que o karatê tem a ver com o tambor?

 

Vou explicar.

No treino avançado para dar um golpe em uma placa de madeira e dividi-la em duas, você precisa olhar para o lugar onde irá golpear, mas não para o lugar na parte de cima da placa e sim para o lugar após a placa. É isso mesmo! Porque se você olhar para a parte de cima, seu cérebro irá registrar esse lugar como o seu limite para aplicação de força e você não terá a menor chance de quebrar a placa. Olhe através da placa, cerca de 20 ou 30cm adiante alinhado ao lugar em que dará o golpe. Seu cérebro fará com que faça uma força para ir além da placa e assim você poderá parti-la.

Ou seja, o limite é você quem estabelece. Pense para cima, elimine as crenças que limitam você.

 

Este post sobre Três tambores – competidores nervosos conta um pouco sobre as minhas descobertas e soluções para problemas que podem ajudar outras pessoas que também sentem essa dificuldade. Ele é o quarto post da minha série de Problemas e Soluções para o tambor.

Compartilhe para aquele amigo que pode estar precisando!

 

 

um abraço!

 

 

 

 

 

 

Quer saber sobre os vencedores? Leia sobre as 6 características dos vencedores clicando AQUI.

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