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O segundo tambor não parava em pé…

Há alguns dias contei essa história para o pessoal que se cadastrou no site. O que fazer quando o segundo tambor não para em pé?

 

Essa é a história da Sharon, uma égua que comprei de aniversário para a minha irmã Paty.

A Sharon era maravilhosa, uma potra de 3 anos baia amarilha linda e meiga demais! Mas nos deparamos com uma dificuldade que quase fez com que minha irmã não conseguisse nem treinar com ela. Ela simplesmente trombava de frente com o segundo tambor.

Nem me lembro mais quantas vezes a Paty foi para a pista treinar e terminava seu treino desanimada porque sempre derrubava o tal tambor.

Ficávamos horas conversando tentando entender como uma potra tão nova, que ainda nem havia corrido uma prova, podia ser tão ansiosa e ficar tão pesada! Era estressante, desanimador…

 

Desistir? Nunca!

 

Só que não somos (nem de longe) de desistir assim tão fácil. E muito menos de dar ouvidos quando nos dizem para abandonar um cavalo e partir para outro. E então, o que fazer???

Pensamos, alguém deve saber o que fazer numa situação dessas. Uma potra que corre em direção ao segundo tambor, que você tenta tirar, mas ela parece fazer força para ir ao encontro dele. Fomos atrás de nossos amigos treinadores.

Mas nada de ter sucesso na nossa empreitada. E o desânimo chegando.

Até que um dia, matando o tempo na internet e lendo sobre cavalos, encontramos um site onde uma treinadora americana dava dicas e vendia um livro sobre treinamento de tambor.

Comprei o tal livro! Li tudo em dois dias e depois li pausadamente os capítulos que mais me interessavam. E entendi que pequenas ações que executamos sem perceber e que nos parecem bobagens, podem fazer uma grande diferença entre dar certo e dar errado.

Quatro meses após a chegada da Sharon, parecia que agora tínhamos uma chance.

Euforia, alegria, ânimo nas alturas! Foi assim que fomos para o treino da Paty.

 

O que estávamos prestes a testar?

 

  1. Os cavalos “seguem” nossos olhos, então mudaríamos a forma de olhar o percurso. Chega de olhar para o tambor seguinte; agora ela olharia para a lateral do tambor.
  2. O contato na boca diz a eles que queremos algo; e o contato tentando “tirar” a Sharon do tambor fazia com que ela quisesse antecipar ainda mais o giro, porque entendia que era hora de reduzir.
  3. Um cavalo que quer muito virar, tende a antecipar o giro. Qualquer sinalização nossa faz com que entrem antes da hora. Isso também seria mudado.
  4. A falta de determinação clara e objetiva dos pontos de entrada de cada tambor, faz com que acionemos os giros cada hora em um lugar, sem foco.

 

O treino daquele dia:

Marcamos o local exato em que minha irmã deveria entrar nos giros. Especialmente para o segundo tambor.

Ela passou a Sharon a trote 5 vezes seguidas marcando cada ponto, cada ação, didaticamente como se faz com uma criança que não entende o que queremos dela. Retas alinhadas e no meio das rédeas, ‘wow’ nos pontos de entrada dos giros sentando bem fundo na sela e indicando os giros a partir desse ponto, somente com a ponta do focinho para dentro.

Saídas alinhadas para o próximo ponto de entrada. E sempre olhando firme e alto para esse ponto.

No segundo tambor, a Paty foi mais radical e resolveu olhar para a cerca logo atrás do ponto de entrada. Fez isso para treinar seus olhos e conseguir fazer com mais velocidade.

Então, ela passou uma vez no galope lento, sem parar, mas olhando exatamente para os pontos que havia marcado, não para o chão, e sim olhando por cima.

Quando saiu do 1º. Tambor já olhou para o mourão da cerca que havia escolhido como referência e levou a Sharon totalmente reta até lá. Quando a Sharon fez uma pequena menção de reduzir antes desse tambor, ela empurrou para frente e a paleta dela passou do tambor.

Foi a primeira vez que minha irmã conseguiu treinar a Sharon sem derrubar o segundo tambor. Foi a primeira de muitas outras vezes! E foi tão fácil que nós não podíamos acreditar! “Como assim? Deu certo!!! Mas o que houve?”

Acho que parecíamos duas bobas na pista. Ainda bem que só um amigo estava presente para ver a cena!

Simples: nós finalmente havíamos entendido como os cavalos percebem as nossas ações e como deixamos de ensinar e ficamos só pensando em corrigir.

Erramos muito até aprender. Mas pode acreditar, valeu muiiiiito a pena!!!!

Se o seu cavalo tem esse problema, faça o mesmo que a Paty fez. Você verá que parece um passe de mágica. Mas é somente uma forma de agir corretamente, de um jeito que seu cavalo entenda o que você quer.

 

Um abraço grande!

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