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Cavalos de Três Tambores sensacionais – o que há por trás deles

Cavalos de Três Tambores é o que move este site, a maior parte das minhas ações e dos meus dias.

 

Há alguns dias venho postando vídeos com cavalos de três tambores para lá de sensacionais. Provas empolgantes que arrepiam os apaixonados pelo esporte. A repercussão desses vídeos e das observações que coloquei para mostrar as ações perfeitas desses cavalos, aumentou uma certeza que carrego comigo. A certeza de que falta muita clareza e informação sobre os porquês do treinamento de tambor.

 

Aqui me refiro ao nosso País, porque nos países da América do Norte as bases e fundamentos são amplamente divulgadas. Não só em cursos presenciais, como em todo material online disponível gratuitamente ou pago. E acredito que isso só ocorra porque os treinadores de lá tem total compreensão daquilo que fazem. Conhecem os cavalos, sua natureza, o que os leva a cada ação e sabem construir um cavalo como todo e não apenas acertar pontos deficientes e corrigir o que chamamos de “erros”.

 

Grandes competidoras, grandes treinadoras.

 

Esse caminho traçados pelas grandes competidoras, de quem claramente sou fã, me parece o caminho óbvio a se seguir. No entanto, vejo que muitas pessoas por aqui não imaginam como é feita a construção desses cavalos. Alguns me escrevem falando que isso se deve a um trabalho de rédeas, mas não vejo assim e nunca ouvi isso de nenhuma delas. Uma base sólida e bem realizada sim, mas sem os posicionamentos pouco naturais aplicados na modalidade de rédeas. Um bom exemplo disso é pensarmos num cavalo de rédeas esbarrando com a nuca tão dobrada; isso não funciona em um cavalo de tambor e velocidade. Basta saber um pouco mais sobre a mecânica do corpo de um cavalo em giros com velocidade e sobre a visão dos cavalos para entender que aqui isso não se aplica.

 

O que aprendi com tudo o que li, vi e ouvi dessas competidoras e de alguns treinadores, é que o cavalo de tambor é uma edificação feita tijolo a tijolo. Se os da base estiverem mal colocados nunca teremos uma construção sólida.

 

Evolução – cavalos de três tambores que são atletas de verdade

A escola que tive nos três tambores é a de que devemos acionar os cavalos, empurrar e puxar para os giros. Entrar com perna, puxar o freio antes dos giros, conduzir o cavalo, erguer o cavalo antes do tambor, tirar o cavalo que chega “empaletando”, etc etc etc. E não é nada disso. Precisar de tantas ações em um cavalo a toda velocidade não pode funcionar. Os cavalos não podem depender de nossas ações o tempo todo. E isso fica muito claro nesses cavalos maravilhosos e suas passadas incríveis que postei.

Basta uma análise bem simples para saber que uma prova de velocidade e que acontece dentro de poucos segundos não pode depender de tanta ação e reação. Uma ação tem um tempo para acontecer; e depois somamos o tempo da reação do cavalo. Enquanto uma prova onde o cavalo não precisa de nossa ação para ter uma reação porque ele sabe como agir, só pode ter esse efeito arrebatador que você viu nestes vídeos.

E isso não depende somente de exercícios. O que faz com que um cavalo tenha independência é o modo como é tratado e ensinado. Construir independência necessita de conhecimento e um grande espírito analítico. Mas é um caminho certo para o sucesso. Cavalos sólidos, emocionalmente equilibrados e altamente responsivos. E cavaleiros completamente conectados ao seus cavalos, que entendem o processo de aprendizado deles e sabem como enxergar os motivos dos problemas, para evitá-los e para solucioná-los.

 

Enxergando os motivos para resolver os problemas.

Conhecer os motivos é o pulo do gato. Porque tentar corrigir um cavalo que antecipa a entrada do tambor sem saber porque isso acontece não fará com que tenhamos sucesso. O motivo continua lá, agindo, e o cavalo continuará a empaletar. Esse é somente um exemplo, porque existem tantos outros mais. É como dar remédio para a febre e não curar a infecção. O motivo da febre vai continuar lá, portanto a febre também.

O sucesso de um cavalo de três tambores também depende do quanto sabemos a respeito de equitação. Essa é uma escola que raramente é praticada por aqui. Não aprendemos a nos posicionar, a ajudar nossos cavalos e a não atrapalhá-los. Porque não aprendemos sobre o quanto nossas ações influenciam imediatamente as ações de nossos cavalos. Uma simples mudança na posição de montar faz uma grande diferença. Se soubermos o que devemos fazer, o que não devemos e porque, podemos mudar completamente o rumo de nossas provas. E de nossos cavalos.

 

Cavalos realmente consistentes

Você já deve ter ouvido que “Fulano faz cavalos para ele correr, ganham muitas provas, mas se outra pessoa montar não vai dar certo, porque o cavalo é difícil de tocar”.

Outro grande trunfo de um cavalo bem treinado, nos moldes e com os fundamentos americanos, é que um bom cavaleiro vai correr com ele e vai correr bem. Porque se o cavalo souber trabalhar sozinho, basta que o cavaleiro saiba o que não fazer e do restante o cavalo dará conta. Isso é possível? A história das competidoras do NFR mostra que sim. Quantas delas eram novatas e a partir do momento em que um cavalo bem treinado caiu em suas selas passaram a vencer e vencer até chegar a Las Vegas?

Michele Mcleod é um desses casos. No ano em que Slick chegou ela nunca havia ganho dinheiro em rodeios e começou a vencer repetidas vezes. No mesmo ano estavam classificados para o WNFR.

 

Conhecimento e informação.

 

Existe muito conhecimento, análise e técnica por trás desses cavalos de três tambores sensacionais. E a cada nova aula que vejo de uma dessas competidoras, acredito mais e mais no poder do conhecimento delas.

E vejo que exercícios mirabolantes, freios XYZ e esporas não fazem um cavalo como esses. É a forma inteligente com que são treinados que faz a diferença.

Então, vou continuar a pesquisar, a procurar mais e mais informações sobre neurociência e biomecânica, para juntar à minha coleção de pesquisas e aulas e poder aplicar cada vez mais. E de forma sempre mais consistente e coerente.

 

 

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