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Cavalo de tambor, um membro da família.

Um dia, enquanto trabalhava tranquila em minha mesa, ouvi de um amigo “Nossa, que judiação!”. Ele olhava para uma foto na tela do meu computador, onde eu e o Raney virávamos o segundo tambor. Perguntei “Judiação? Por que?”. Ele se condoía da força registrada na foto, com aquela poeira se erguendo no giro.

Expliquei, indignada, que não havia ninguém maltratando ninguém. Que o cavalo faz o giro sem que alguém precise arrastá-lo pela boca e que essa força registrada é natural, nada tem a ver com sofrimento. Pois é, ele achou que o Raney virava arrastado pela minha força em sua boca e que seus pés se machucavam no virador. Percebi que a ignorância, a falta de conhecimento sempre podem ocasionar conclusões precipitadas. E julgamentos errados.

Quem tem a sorte de estar nesse meio, de conviver com os cavalos, tem paixão pelo que faz e pelos animais.

Os cavalos são especiais. Criam uma conexão inexplicável com seus cavaleiros e somente quem tem essa convivência é capaz de entender esse sentimento.

Cavalos de tambor são tratados como filhos atletas. Tudo é para eles e por eles. Um vestido novo? Hoje não, precisam de caneleiras e manta novas. Trocar de carro? Ah, fica pra depois, melhor fazer uma poupança para eles! E assim vai, nada parece ser mais importante do que eles. Abrir mão de passeios e baladas parece ser a coisa mais normal para os cavaleiros. Afinal, o que seria mais importante do que nossos cavalos?

Hoje vejo alguns defensores de animais dizendo que cavalos de tambor são maltratados, explorados. Novamente o julgamento sem conhecimento.

Numa prova de tambor existe um juiz que observa e checa tudo. Até mesmo o tipo de embocadura, que tem que ser confortável e nada bruta para os cavalos. Um ponto de sangue, mesmo que seja de um pequeno ferimento antigo, desclassifica o competidor. E ninguém entra numa prova para ser desclassificado. Ninguém quer ver seu amigo ferido. Maltratar um cavalo dentro ou fora da pista é passível de punição. Existe um regulamento. Tudo para garantir o bem estar dos cavalos.

Os giros e as corridas são movimentos naturais dos cavalos. Soltos nos piquetes eles disparam numa corrida alucinada, reduzem bruscamente na beira da cerca e giram para sair no galope novamente. Estão soltos, brincando. E as provas de agilidade apenas colocam em pista aquilo que faz parte da natureza dos cavalos. São meses de preparo físico, ajustes técnicos (como ocorre com todo atleta de alta performance) para que estes atletas tenham toda a condição de correr e executar os giros da forma mais cômoda e natural. Acreditem, não temos força para arrastar e obrigar um cavalo de meia tonelada a girar ao redor de um tambor e correr em disparada ao encontro dos outros dois em praticamente 17 segundos.

Eles são parte da família. Adorados por quem os monta.

Tratados com tudo o que há de melhor em nutrição, suplementos, tratamento veterinário, tratamento dentário, acupuntura, quiropraxia, equipamentos de proteção e amor. Sim, AMOR! Muito mais do que vocês podem imaginar. Formamos uma dupla. Passamos a semana trabalhando juntos para ter sintonia e formar conjunto. Cavaleiros prestam atenção a todos os detalhes de seu cavalo, da forma como se movimenta enquanto treina ao seu comportamento enquanto solto, para saber se está tudo bem. E essa atenção é algo natural, nossos olhos são guiados pelo coração porque queremos o melhor para eles. E dependemos totalmente deles em pista. Lá dentro somos um só.

Sou uma protetora, com 13 cães e gatos adotados. Toda violência e descaso com animais me faz sair do sério. Mas os cavalos de tambor, assim como os cães que tantos tem em casa, são queridos pelas suas famílias. Podem existir casos de maus tratos, assim como ocorre com cães e gatos. Vamos proibir as pessoas de terem cães por isso? Generalizar nunca será um caminho justo.

Então, antes de julgar, gaste algumas horas do seu dia e presencie essa troca entre cavalo e cavaleiro. Provavelmente você sairá de lá já sonhando em ter um cavalo de tambor.

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Trouble Raney FF, hoje aos 21 anos.

Trouble Raney FF, um coração maior que tudo. Um amor pra vida inteira e para outras vidas. Ele quis se aposentar aos 12. Hoje, aos 21 vive bem tranquilo aqui em casa, bem aqui ao meu lado.

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